27. Medo de quê?
Vinte e sete beijos. Eu me perdi em vinte e sete beijos. E vinte e nove abraços. O resultado é exato. Surpreendente e exato. Na mesa do restaurante ninguém podia imaginar mas todos sabiam. Na coxia do espetáculo ninguém sabia mas todos imaginavam. Quando duas pessoas se encontram, por mais curto o tempo que dure o olhar, alguma coisa ao redor muda de cor, e quem tem olhos, vê. A moça queria um título de baronesa e foi pedir ao rei. O rei não olhou para ela por isso mandou dizer que sim. Mas se a visse como eu a vi, o título seria outro. Vinte e sete beijos, vinte e nove abraços, quatro peças em cartaz. Uma bagunça de histórias e cortinas que se abrem. Uma menina no espelho que não é o seu, mas que a reflete, de repente. E se é fábula não existe medo (Será?). O mal nunca vence nos contos de fadas. Uma baronesa que virou princesa e uma idéia improvável que virou trilha. Não há roteiro. E o improviso entre duas pessoas em sintonia é bem interessante. É um conto curto e feliz. Ou não.