23. A Família
Antonio e Regina se casaram em 1962. Em 64 nasceu Cecília. Em 65 nasceu Mariana. Em 68 nasceu Rafael. Em 74, Clarice, por acaso. Cecília casou-se em 89 com Edu. Mas não deu certo e se separou dois anos depois. Em 94, casou-se de novo, com Murilo. O primeiro filho deles, Léo, nasceu em 95. E em 96 nasceu Bia. Nesse mesmo ano Rafael se casou com Lucia. Em 99 ela deu à luz Pedro. A irmã dele, Gabriela, nasceu em 2002. Mariana casou-se com Miguel antes disso, em 2001. E eles também tiveram uma menina no ano seguinte: Clara. Clarice viveu um grande amor com Elena entre 94 e 99, mas agora está só. Cecília, Murilo, Léo e Bia moram em um apartamento no bairro Quatro, e têm um cachorro preto. Rafael, Lucia, Pedro e Gabriela estão na ala Três, com vista para o mar. Mariana, Miguel e Clara vivem em outro continente, no frio, mas sempre telefonam. Clarice ainda mora com Regina e Antonio, na casa Oito. Todos viajam muito. Alguns trabalham. Outros estudam. Às vezes alguém chora. E a vida se repete.
Hiperbreves são contos curtos. Pretendem ter a medida exata.
Não podem ultrapassar mil toques. Porque "escrever é cortar palavras".
Comecei a escrevê-los em 2001. E sigo tentando ser uma pessoa hiperbreve.
terça-feira, abril 22
22. Um amor de improviso
Você não está olhando pra mim. Mas eu te olhei tanto hoje. Não sei bem a sua voz, mas te olhei e te vi. Senti de novo aquela coisa que a gente sente quando se apaixona. Mesmo que seja só por um dia, por um instante até. Eu me apaixonei. Comecei a pensar nisso de repente. Porque alguém me disse que eu estava com ciúme. Estava mesmo, me dei conta. E então, durante dias, tentei desenhar seu rosto dentro dos meus olhos. Confesso que não consegui. Mas hoje eu te vi e te olhei bem. E meu sorriso se descontrolou. Você não viu. Você não me olha. Nem vai olhar. Suas pernas tremem. É medo? Como é que eu posso me apaixonar por alguém cuja voz eu nem sei bem? Como é que eu posso, se nem tenho seu rosto claro na minha memória? Eu não sei também. Mas me apaixonei, hoje eu vi. Eu vi, enquanto você não me olhava. O caso é que nem nos conhecemos. Só te olhei, e te vi, e te amei. Será que vem alguma dor com isso? Olha, vê bem, meus olhos estão tremendo. Minhas pernas tremem. É medo, sim.
Você não está olhando pra mim. Mas eu te olhei tanto hoje. Não sei bem a sua voz, mas te olhei e te vi. Senti de novo aquela coisa que a gente sente quando se apaixona. Mesmo que seja só por um dia, por um instante até. Eu me apaixonei. Comecei a pensar nisso de repente. Porque alguém me disse que eu estava com ciúme. Estava mesmo, me dei conta. E então, durante dias, tentei desenhar seu rosto dentro dos meus olhos. Confesso que não consegui. Mas hoje eu te vi e te olhei bem. E meu sorriso se descontrolou. Você não viu. Você não me olha. Nem vai olhar. Suas pernas tremem. É medo? Como é que eu posso me apaixonar por alguém cuja voz eu nem sei bem? Como é que eu posso, se nem tenho seu rosto claro na minha memória? Eu não sei também. Mas me apaixonei, hoje eu vi. Eu vi, enquanto você não me olhava. O caso é que nem nos conhecemos. Só te olhei, e te vi, e te amei. Será que vem alguma dor com isso? Olha, vê bem, meus olhos estão tremendo. Minhas pernas tremem. É medo, sim.
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