37. Pois Enfim
Foi um oi o culpado de tudo. Um oi de ida, outro de volta, e a repetição. Assim mesmo, escrito: oi oi. Escreveram uma história com palavras eletrônicas. E literatura. E poesia. Foi esse o jogo, de palavras e poemas. Começaram a conversar sem rosto, por um fio, mas com o coração exposto, a mente excitada, as verdades profundas. Secretas, às vezes. Trocaram e-mails infinitos e ansiosamente esperados, e criaram um vínculo de amizade clandestina, de amor não permitido. Meses depois, a falta de toque já era dor. E ela veio me ver. Distantes, nos descobrimos amantes. As palavras e os poemas virtuais se transformaram em desejo real e em cobiça, sedução, bocas secas de vontades e corpos molhados de imaginação. E, então, ela veio me ter. O oi, seguido de tchau, nos atormenta de saudade. E tentamos achar o caminho desse amor sem tempo, em tempo, real.