16. Amor de raposas
Estava perdidamente apaixonada. E não é força da expressão. Estava mesmo perdida. Sem saber para onde ir quando acordava, sem encontrar os caminhos por onde antes conseguia escapar. Ela estava sentindo de novo aquela coisa que move a gente. Que tira os limites, que cristaliza os olhos, que escancara o sorriso. Não queria sentir, mas era sem controle. No começo nem conseguiu pensar em como tudo era absurdo, porque a cabeça não funcionava. Ela olhava aqueles olhos que amava e surgia um nublado de sonho e satisfação confundindo o raciocínio. Comprou presentes, faltou ao trabalho, perdeu a noção da hora dias seguidos, vendo o céu clarear no meio da conversa. Fez coisas de que não gostava, com prazer. Aprendeu a gostar porque amava quem ensinava. Ainda ama, mas sozinha. E quando se pergunta para que serve tudo isso, ela se lembra da raposa, do pequeno príncipe, e do trigo... Fecha os olhos e agradece por ser capaz de amar. Não importa quem. Não importa muito.
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