terça-feira, abril 22

22. Um amor de improviso

Você não está olhando pra mim. Mas eu te olhei tanto hoje. Não sei bem a sua voz, mas te olhei e te vi. Senti de novo aquela coisa que a gente sente quando se apaixona. Mesmo que seja só por um dia, por um instante até. Eu me apaixonei. Comecei a pensar nisso de repente. Porque alguém me disse que eu estava com ciúme. Estava mesmo, me dei conta. E então, durante dias, tentei desenhar seu rosto dentro dos meus olhos. Confesso que não consegui. Mas hoje eu te vi e te olhei bem. E meu sorriso se descontrolou. Você não viu. Você não me olha. Nem vai olhar. Suas pernas tremem. É medo? Como é que eu posso me apaixonar por alguém cuja voz eu nem sei bem? Como é que eu posso, se nem tenho seu rosto claro na minha memória? Eu não sei também. Mas me apaixonei, hoje eu vi. Eu vi, enquanto você não me olhava. O caso é que nem nos conhecemos. Só te olhei, e te vi, e te amei. Será que vem alguma dor com isso? Olha, vê bem, meus olhos estão tremendo. Minhas pernas tremem. É medo, sim.

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