36. Bonecas
No pulso de uma o nó era firme, mas com o tempo foi alargando e já havia espaço pra passar a mão, com um pouco de esforço. Com menos esforço a cada dia que passava. No pulso da outra, um laço. Bem dado, caprichado, refeito e reafirmado de tempos em tempos, mas um laço. Daqueles bem laços. Daqueles que basta puxar uma ponta para soltar. A corda era grossa. Impossível de partir. Por isso mantinham como podiam o nó. E refaziam o laço assim que soltava. A corda era grossa, afinal, impossível de partir. Isso era o que elas pensavam. E, como na maioria das vezes na vida, elas estavam enganadas.
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