38. Chuva
Veio como uma chuva dessas que pega de surpresa. Inundou o carro, a casa, a vida, a alma. Não, a gente pode nunca estar preparada, e eu estava no limite do despreparo. No limite do relaxamento, do descanso, do não-esperado. E o amor chegou. Daqueles que se muda pra casa da gente na segunda semana. Vai ao supermercado, muda a roupa de cama, a rotina, bate papo com a empregada, altera os horários, os sons, os costumes, os dias, as madrugadas. Uma tempestade. Boa. Um refresco, um respiro, um colo, uma restauração. A moça agora dorme aqui, ilumina os meus dias, enche os meus armários, consola as minhas noites, acalma o meu sono, alegra as minhas manhãs. Nem toda tempestade é tragédia. Nem todo amor inesperado é invasão. Nem toda mudança é susto. Veio como uma chuva, e regou o que em mim morria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário