43. do amor e do esquecimento
E então naquele primeiro de janeiro ela acordou sem memória. Não sabia onde estava, nem quem era, nem o que devia fazer. Não tinha ninguém naquela casa enorme e ela não tinha a menor idéia de quem morava lá ou onde estavam todas as pessoas. Viu a chave do carro e o carro na garagem, mas nem se atreveria a dirigir porque não se lembrava de ter aprendido. E nem saberia para onde ir. Comeu alguma coisa boa que achou na geladeira, mas sem saber o que era nem como chamava. Passou o dia inteiro sem fazer nada porque nem se lembrava se a gente deve ou não fazer coisas. Ligou a tv e assistiu a um dos últimos capítulos de uma novela que parecia bem emocionante, mas não sabia nada sobre a história de ninguém. Queria dormir, mas não se lembrava de como ter sono. E então o telefone tocou. Hey girl. E ela sorriu um sorriso apaixonado de quem se esqueceu de tudo porque está amando demais. Mas sentiu um medo, de se esquecer de si mesma. Lembrou que era tarde: já tinha esquecido. De novo.
2 comentários:
é difícil quando a gente começa a esquecer da gente mesmo ...
Há muito tempo atrás - era 2003 e eu escrevia um blog chamado Epifanias - eu acompanhava o Hiperbreves. Fico muito, mas muito feliz mesmo, que ele tenha voltado! =)
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