sexta-feira, agosto 6

28. Às quartas

A mãe sofre demais toda quarta-feira à noite. Porque no outro dia alguém vem buscar a menina. Você sabe o que é, meu senhor, ter de ver sua filha pequena indo embora em braços ruins? É um crime, meu senhor. Uma violência. Um mistério de Deus, se Deus houver. Lave as mãos, meu senhor, para falar com esta mulher. Uma santa. Uma filha santa, uma irmã santa, e agora uma mãe santa. Você sabe, meu senhor, por que sofrem as boas almas? Lave a alma, meu senhor, com a história desta mulher. Não vou contá-la, não, para que o senhor imagine o pior. Uma santa de cujos braços de mãe lhe arrancam a criança. Toda a semana, meu senhor. Toda semana. E ela, paciente, espera. Quatro dias que duram meses. É quase a espera de nascer de novo. E quando a menina chega, iluminam-se todas as janelas, todos os olhos, todos os corações do bairro. Da cidade. Do mundo. Você sabe o que é, meu senhor? É quase a morte quando a levam. É uma santa mutilada a cada partida. É uma vida injusta, meu senhor.

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