segunda-feira, agosto 22

32. Insônia

Acordei. Nem é dia ainda. Não, não: nem dormi. Só fingi. Mas não consegui me enganar. Desliguei a televisão às onze e dez. Às onze e quarenta e três, meus olhos foram puxados pela luz dos números no relógio - nervosismo, angústia, estava acordadíssima. Minutos de insônia para mim são horas. Porque depois de um, já sei que vem outro, e depois outro, e eu não durmo há horas. Às duas e dezessete entrei em pânico. Cobri a cabeça com o travesseiro e tentei não pensar em nada. Mas quanto mais tento não pensar, mais aceleradamente meu cérebro funciona. Um desrespeito total do corpo e da mente com a pessoa. Foi nessa hora que comecei a fingir que dormia. Mas agora são quatro e trinta e cinco, quatro e cinqüenta e oito, cinco e vinte. Cocorocó? Não, eu não posso acreditar que meu vizinho comprou um galo. Eu moro na cidade. Cocorocó! Faltam dez minutos pras seis. Seis e quarenta. Sete horas da madrugada. Nem é dia ainda e eu estou acordada desde o mês passado. E agora tenho um galo na cabeça.

Nenhum comentário: