sexta-feira, junho 7

3. Luca e o fim do mundo

Chegamos à lanchonete e ele disparou para os brinquedos lá fora. Para ele, o maior parque do mundo! Um escorregador enorme, em formato de tubo, e uma piscina de bolinhas. O maior parque do mundo! Luca tinha cinco anos e correu para brincar com mais fome do que a que um sanduíche poderia saciar. Compramos os lanches felizes, sentamos, comemos. Ele não veio: brincava. Estava lá, reluzente, num ciclo de subidas e descidas, e cheio da maior glória que uma criança pode ter! De repente parou, se afastou, ficou estático olhando de longe a entrada do brinquedo. O que foi, meu amor? - perguntei. Um menino de oito anos - oito anos! -, ele arregalou os olhos, me disse que luta karatê e que não quer mais que eu brinque no escorregador, respondeu com um nó de choro na garganta. Por mais que a gente explicasse que o menino não era o dono do lugar, ou insistisse para ele voltar lá, não quis mais saber. Tomado de um pavor mortal, pegou seu saquinho de batatas e foi comer lá dentro, na mesa mais distante que encontrou.

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